O Amor que “ninguém” viu, livro que foge do clichê “literatura gay”,


O livro, “O amor que ninguém viu”, busca lançar uma luz sobre a censura popular, que se tornou um câncer coletivo, atacando a sociedade LGBT por algo que não se escolhe, isto é, a orientação sexual. Desta forma, vemos o caos no discurso de lideranças religiosas contra a expressão do desejo sexual. Não é à toa que muitas pessoas têm se afastado de religiões por não encontrarem acolhimento e compreensão diante de seus dramas psíquicos no campo da homossexualidade. Ou, frente a estas questões enigmáticas, muitos se veem obrigados a se negarem o tempo todo. Anulam-se em função de algo ou alguém. Por fim, se privam de muitas coisas, nesta vida, em razão de outra além desta.

Contudo, no que tange o debate sexualidade e religião, inquieta-me o discurso de que os gays não são aceitos, por isso resolvi fazer esse livro, que além de fugir das histórias – em sua grande maioria -, clichês da “literatura gay”, nos permite a uma reflexão profunda e diferente, pois o personagem principal é filho de pastor e ouviu, durante toda a vida, que é uma prática insana e abominável se deitar com pessoas do mesmo sexo. Mas o que ele pôde fazer para mudar isso? Nada, porque não se trata de uma opção.

Mas, vendo que as religiões – com raras exceções -, e suas cruéis e convenientes interpretações do livro sagrado, estão matando aos poucos os homossexuais, revoltei-me e quis, por meio dessa obra, ser a voz de milhares de gays, até mesmo porque a bíblia em nenhum momento condena a homossexualidade, mas sua interpretação errônea e equivocada, sim. Isso fica evidente quando em Levítico diz: o homem que se deitar com outro homem como se fosse mulher, abominação é.

Segundo estudos, pesquisas e conversas com teólogos, conclui: Levítico era considerado um livro de santidade ao senhor, sobretudo de regras de – e para – um povo que estava em um contexto histórico absolutamente diferente do nosso, o que faz todo sentido na reflexão desse versículo, que tem um alto teor de machismo, quando fazem a comparação do homem a mulher, esta que não valia nada naquela época. Entendamos: dois homens, juntos, por um deles ser passivo, assemelhava-se a mulher, e ai que se dava a abominação: ser comparado a quem não valia nada, a quem não poderia falar nada, a quem não podia nem adorar o próprio Deus ou se aproximar do altar nas sinagogas. Com isso, entende-se que a bíblia é MACHISTA, e não HOMOFÓBICA.

Depois, em outro versículo, diz que os EFEMINADOS, SODOMITAS, ETC… Não herdariam o reino dos céus. Entendamos: essa palavra, no Hebraico, segundo estudiosos, significa suave ao toque, (mole), mas é interpretada para denegri os trejeitos de um homossexual.

E, por fim, vale a reflexão sobre o grande dilema da discussão: SODOMA E GOMORRA.

Sodoma e Gomorra foi destruída pela iniquidade e perversidade do POVO EM GERAL, que praticava estupro coletivo. E aí, quando Ló, um homem de Deus, viu que dois anjos foram enviados a cidade, para encontrar um justo, decidiu, pela lei de hospitalidade, abrigar os moços. Todavia, numa cidade perversa como tal, a população descobriu isso e foram até a casa de Ló. Lá, solicitaram que o mesmo ”libertasse” os homens porque o povo queria molestá-los. Ló se recusou e ofereceu suas filhas no lugar. Portanto, desse episódio, e as mais diversas interpretações convenientes, entende-se que ali teria ocorrido um ato homossexual e por isso Deus destruiu o lugar. Pensemos: não se tratava de homossexualidade, mas de estupro coletivo e violência sexual. Se não o fosse, poderíamos então afirmar que todos os homens, naquela cidade, eram gays, e que já tinha tido relações entre si? Uma vez que todos – velhos e novos, como diz a BÍBLIA -, queriam estuprar os anjos. Estranho, né?

Bem, dissertei tudo isso para que compreenda qual é o propósito desse livro: trazer a reflexão, pela voz dos personagens, seus sentimentos e ações, sobre tudo o que citei acima, compreendendo, assim, que a homossexualidade é algo tão normal quanto a heterossexualidade. Ou algum hetero se lembra do dia em que escolheu tal orientação?

Ao começar a refletir sobre todos esses pontos – claro, tudo numa linguagem bem sensível, poética e literária – como um bom romance pede -, os personagens, sobretudo o principal, que é o mais angustiado, percebe que ser homossexual é ser como qualquer ser humano, feito para amar e ser amado, ao invés de ficar, dia a dia, por tudo que falam, dizem, pregam, – porque Cristo e a bíblia falam de amor -, pensando se vai para o céu ou para o inferno. A sociedade LGBT deve se preocupar mais em viver, do que entender. Porque as igrejas estão em crise, pois o ser humano está em crise. A igreja deve estar no mundo, mas não pode ter atitude mundana. Se o mundo exclui, ela deve acolher. Ela não pode reproduzir aquilo que pretende resolver, como exclusão e marginalização.

Diante disso, resumo a essência do livro com a frase do filósofo Michael Foucault: “muitos homossexuais estão paralisados por algo que explique a causa de seus desejos, no lugar de viverem estes desejos; e que estes movimentos homossexuais, hoje, precisam mais de uma arte de viver do que um conhecimento científico daquilo que é a sexualidade”. Esse assunto foi explorado em sua obra História da Sexualidade (1976).

Já o título deste meu quinto romance: “O AMOR QUE “NINGUÉM” VIU” nos convida a pensar na oposição, “o amor que alguém viu”, ou seja, a própria pessoa que sente, quando ela olha para o amor que está dentro de si e o reconhece, embora ninguém veja. O desejo existe no lado oculto da vida direcionando o sujeito para caminhos que nem ele, racionalmente, sabe o porquê. Justamente porque ele ignora o que sente e sofre por deixar de ser quem realmente

Serviço
Lançamento do livro: O amor que ninguém viu.
Data: 17 de dezembro – das 15h às 18h
Museu da Diversidade Sexual
Rua do Arouche, 24 – República – São Paulo-SP

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