Confira uma entrevista com a artista visual Marisa Melo


Vivemos uma época em que há muito interesse pela arte. As exposições têm conseguido atrair um público crescente, que questiona a beleza e o sentido que justifiquem chamar uma obra de “artística”. Justamente nesse momento, Marisa Melo, uma artista visual que esbanja talento e criatividade, tem nos mostrado que é, sim, possível motivar, engajar, impressionar, através de imagens.

Em suas coleções e projetos, ela aborda os mais diferentes temas. A beleza, a vida, a morte. A felicidade, os problemas. Nada é tabu. Ela não perde nenhuma oportunidade de nos instigar, de nos questionar. Mas tudo parece ter um sentido.

Entre telas e fotos, ela nos recebeu para falar sobre seus muitos Universos. Sobre a Arte e sobre como cada um de nós transforma e é transformado. Pelas cores, pelas ideias, pelos desafios.

Marisa Melo, seu trabalho como artista visual tem feito muito sucesso. Na Fotografia e na Pintura. Como começou a sua atividade no mundo das Artes?

MM: Primeiro na fotografia, aos 21 anos. Minha primeira máquina foi uma Vivitar. Eu tinha um laboratório analógico de revelação. Minhas fotos, sempre foram relacionadas com beleza. Ainda não tinha um olhar documental. Estava começando. A Pintura veio numa sequência natural depois de eu descobrir o Artesanato. Decoupage, pátina, percebi que gostava de mexer com tinta. E aí vieram as primeiras telas.

Fale um pouco de você. Como é a Marisa?

MM: Uma pessoa muito inquieta. Não me satisfaço com um só caminho, com uma só versão. Questiono muito o que vejo. E até o que ainda não vi. Compartilho minha visão. E até minhas dúvidas. Queria um mundo em que todos se ajudassem. O tempo todo, todo o tempo.

Na Arte, o que comove você?

MM: A ação. A possibilidade de transformar a realidade humana e social ao meu redor. Sabe, eu não consigo ver tanta injustiça, tantas agressões à Natureza, aos animais, às mulheres, às crianças e ficar quieta. Não consigo! Tenho de me manifestar, e a Arte me possibilita isso. Acho que ninguém pode silenciar. Senão vira cúmplice!

Antes de cada foto, de cada obra, você já enxerga como ela será quando pronta?

MM: Na fotografia, sim. Em cada projeto existe um plano traçado. Pode haver alguma intervenção, mas é raro. Já na Pintura, é o contrário. O processo criativo acontece durante a execução. A construção vai mudando, de acordo com meu olhar naquele momento.

Quais suas influências?

MM: Trago uma influência muito forte dos quadros de Dali e Monet e da luz de Rembrandt e Johannes Vermeer, que simulavam em suas pinturas a luz natural de maneira impressionante. Manabu Mabe também me inspira. Importante lembrar do Henri Cartier-Bresson, que mostrou que eu não precisava me limitar à fotografia, podendo transitar livremente entre diferentes universos, como Pintura, Fotografia e o que mais vier.

Como chega a certeza de que um determinado tema será a próxima coleção?

MM: Às vezes, uma viagem, um filme, uma canção, me despertam para alguma ideia.

Quando ela toma conta de mim e me cerca de um modo que não consigo conter, tenho definida a próxima coleção.

Você falou em canção. O que você gosta de ouvir?

MM: Etha James, Joe Bonamassa, David Gilmour, Andrea Bocelli, Flávio Venturini, Tom Jobim, Leila Pinheiro. Ih, minha lista é muito grande (risos).

Três coisas que cansam você:

MM: Gente que não se posiciona, que vive em cima do muro querendo agradar todo mundo.

Barraco. Gente que altera a voz, querendo conseguir tudo no grito. Quando a pessoa grita, acabou o discurso.

Hipocrisia. A falsa felicidade das redes sociais.

Três qualidades que você mais admira.

MM: Engajamento, criatividade, curiosidade.

Como você consegue manter seu trabalho artístico sempre atual?

MM: Estou numa busca constante. De conhecimento, de aprendizado, de novos pontos de vista.

Venham eles da França, Índia, Rio, Argentina, Itália.

Sou muito antenada, leio muito, pesquiso muito. Gosto de me desafiar.

A versatilidade é sua marca registrada. Fale sobre isso.

MM: Não gosto de rótulos. A manifestação artística evolui com o tempo e com a trajetória de cada um.

Gosto de ser livre para atuar com o comercial, o fine art, ou o que quer que seja que me ajude a transmitir minha verdade, sem a preocupação do elogio fácil.

Para encerrar, em uma frase, como você se define artisticamente? Pintora? Fotógrafa?

MM: Nem fotógrafa, nem pintora. Apenas artista.

Acompanhe Marisa Melo nas redes sociais:

Instagram: @mmelo_artista
Site: www.marisamelo.com