COI vê Rio ‘despreparado’ e põe em risco realização dos Jogos, diz jornal


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Em público, as críticas têm sido amenas. Mas, nos bastidores, o Comitê Olímpico Internacional tem mostrado preocupação quanto à realização dos Jogos do Rio, em 2016. De acordo com o jornal “Estado de São Paulo”, que teve acesso a um relatório secreto da entidade, problemas no financiamento, atrasos na construção de estádios e nas obras de infraestrutura e o déficit crônico de quartos de hotéis põem em risco o sucesso do evento. Segundo o raio X do COI, a cidade se mostra despreparada para o evento e com sérias dificuldades financeiras.

A avaliação do COI será usada como base dos debates que começam neste sábado, no Rio de Janeiro. Nas reuniões, estarão presentes membros da entidade, do governo brasileiro e de organizadores dos Jogos. O relatório tem 44 capítulos e classifica o estágio da preparação do país para o evento. Apesar do discurso otimista do COB, apenas metade do plano de realização estaria em dia.

O COI classificou os 44 capítulos da preparação em três cores diferentes: verde, para áreas em dia; amarelo, para as que apresentam preocupação; e vermelho para as que já estão comprometidas. A maior dúvida é em relação às instalações esportivas. Segundo o COI, os locais de competições ainda não foram 100% confirmados. A entidade reclama das constantes mudanças de plano dos organizadores. “Ainda existem muitas e frequentes mudanças de locais ou incertezas sobre a localização e especificações das instalações”, teria sido escrito no relatório.

Entre as incertezas estão as instalações para os esportes aquáticos, corrida de rua, o Maracanã, canoagem e outros. “Essas mudanças e incertezas têm ou poderão ter impactos negativos nas operações”, afirma o relatório. Segundo o COI, a organização teria de saber em abril a capacidade total das instalações, mas adiou para novembro.

Outra crítica é direcionada ao plano para Deodoro, com “atrasos adicionais no processo de licitação”.  O COI pede “urgência máxima” no planejamento, nas licitações e na construção do local. Segundo o cronograma indicado no documento, o projeto de Deodoro deveria estar pronto em maio de 2012. Mas o novo prazo é novembro de 2013. Há também críticas em relação às condições do estádio olímpico João Havelange.

Outro alerta da entidade é em relação à estrutura. No transporte, o Comitê pede um “monitoramento muito cuidadoso” da Linha 4 do Metrô e das obras entre Barra e Zona Sul, atrasadas. Para o COI, haveria o risco de uma frota insuficiente de ônibus. A entidade pede um plano alternativo de transporte, caso a construção da Linha 4 do Metrô falhe. Em amarelo, o comitê mostra preocupação quanto ao abastecimento de água e eletricidade, além da obra do porto.

A rede hoteleira também preocupa. Até agora, o número de quartos contratados é de 19,2 mil. Para o COI, o evento exigiria 45 mil à disposição do público. O relatório também revela o atraso dos contratos dos navios que seriam usados como hotéis, no Rio. A previsão inicial da assinatura era para março, mas foi adiada para o fim do ano por conta de um “interesse mais baixo do que se esperava”. O aeroporto também preocupa e está sinalizado em amarelo.

 


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